Os Primeiros Anos e a Voz Que Nasceu na Igreja
Aymos cresceu numa família onde a música não era o centro da vida, mas estava sempre presente. Desde cedo, a voz foi o seu instrumento natural, e foi no coral da igreja que descobriu pela primeira vez o que significava cantar para outras pessoas. Essa experiência foi determinante para o que viria a seguir. Assim sendo, não demorou muito até que o jovem Babili Amos Shili formasse o seu próprio coral no ensino médio, reunindo colegas que partilhavam o mesmo gosto pela música. Nessa fase, cantar era ainda uma actividade paralela, um prazer que coexistia com os planos convencionais que a família e a sociedade esperavam dele.
A influência da mãe, que trabalhava num hospital, acabou por moldar as primeiras escolhas académicas de Aymos. Por isso, a enfermagem pareceu durante algum tempo o caminho natural a seguir. Desta forma, ele ingressou na faculdade de enfermagem com a intenção de construir uma carreira na área da saúde. Contudo, a música nunca saiu da sua cabeça. À medida que os meses passavam, tornava-se cada vez mais evidente que aquela não era a sua vocação. Foi então que tomou a decisão que mudaria tudo — abandonou o curso e dedicou-se inteiramente à música.
O Futebol, os Bastidores e a Escola da Vida
Antes de se tornar o vocalista que todos conhecem hoje, Aymos também passou pelo futebol. Durante algum tempo, chegou a ponderar seguir carreira desportiva, uma ambição que partilha com muitos jovens sul-africanos que crescem nos bairros onde o futebol é mais do que um desporto — é uma saída, uma identidade, uma esperança. Todavia, tal como aconteceu com a enfermagem, o campo de futebol acabou por ceder o lugar ao microfone. Em retrospectiva, estas experiências todas fazem parte de quem Aymos é hoje — um artista com uma visão ampla da vida e uma capacidade de se reinventar que poucos possuem.
A verdadeira escola de Aymos foi, no entanto, os bastidores da cena house music sul-africana. Durante vários anos, trabalhou como vocalista de apoio e músico de sessão para DJs locais, gravando faixas que chegavam ao público sem o seu nome em destaque. Em consequência, foi nessa fase discreta que Aymos aprendeu a trabalhar em estúdio, a entender a estrutura das músicas e a adaptar a sua voz a diferentes contextos sonoros. Além disso, foi também nessa fase que construiu as relações profissionais que mais tarde abriram as portas certas.
“Zaka” e o Começo do Reconhecimento
Em 2019, Aymos lançou “Zaka”, a sua música autoral que marcou o início do reconhecimento profissional. A faixa mostrou ao mundo que este não era apenas mais um vocalista de apoio — era um artista com perspectiva própria, com uma voz capaz de conduzir uma narrativa musical do início ao fim. Portanto, “Zaka” funcionou como uma declaração de intenções. A partir daí, o crescimento foi consistente e os convites para colaborar com nomes maiores da indústria começaram a surgir. A música amapiano, com o seu ritmo característico e a sua capacidade de unir tradição africana e modernidade, revelou-se o terreno ideal para a voz de Aymos florescer.
Da mesma forma, o público respondeu com entusiasmo crescente. Cada lançamento confirmava que o abandono da enfermagem não tinha sido um erro — tinha sido a decisão mais corajosa e mais acertada da sua vida. Assim, Aymos foi construindo a sua base de fãs de forma orgânica, canção a canção, actuação a actuação.
eMcimbini e a Consagração Internacional
O grande momento de consagração chegou com “eMcimbini”, em colaboração com Kabza De Small e DJ Maphorisa, dois dos maiores nomes do amapiano. A faixa tornou-se um fenómeno, ultrapassando fronteiras e levando a voz de Aymos a ouvidos em todo o mundo. Sobretudo, o sucesso de “eMcimbini” provou que o amapiano tinha chegado para ficar e que Aymos era uma peça central desse movimento. Em suma, a trajectória de Babili Amos Shili é uma lição sobre persistência, coragem e fé no próprio talento. Do coral da igreja em KwaZulu-Natal aos palcos internacionais, Aymos construiu o seu caminho tijolo a tijolo, sem atalhos, sem sorte por acaso — apenas trabalho, talento e a determinação de um homem que nunca esqueceu porque começou a cantar.
Há histórias que começam onde menos se espera. A de Babili Amos Shili, conhecido mundialmente como Aymos, é precisamente uma dessas histórias — uma trajectória que passou por hospitais, campos de futebol e corais de igreja antes de chegar aos maiores palcos da música africana contemporânea. O cantor e compositor sul-africano tornou-se um dos rostos mais reconhecidos do amapiano, o género que conquistou o continente e chegou a todos os cantos do mundo. Contudo, nada disto aconteceu da noite para o dia. Por isso, conhecer o caminho que Aymos percorreu até aqui é entender não apenas a história de um artista, mas também a história de um homem que apostou tudo numa paixão quando o mais fácil teria sido seguir o caminho traçado.